Poetray

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quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

O melhor momento e o que mais me encanta



Quando flagrar-me assim, nesse arrebatamento,
Contemplando em êxtase a tua beleza
Perdoe-me, por favor, o descuido
E não julgues como rude indelicadeza;

É o melhor momento da vida, esse raro instante
Em que posso esquecer ofícios, erros e sentenças
Pois quando se ama assim, como eu te amo
_ de forma tão eletrizante e intensa _,
Nada no mundo é mais importante
Do que colher lembranças de tão doce presença.

Mais vale o tempo vivido e o prazer sentido
Do que julgamentos e pena pela conduta
Pois tudo que se ganha na vida ficará perdido
Exceto esses deleites que permeiam a luta.

Depois de anos sufocado meu coração agora sorri.
Sorri ao ver o sol, uma flor, sorri ao ver teu sorriso...
Sorri ao sentir essas ondas desse mar imaginário que agita em mim.
E sorri diante do teu olhar e enamora-se do teu corpo, ...
Meu paraíso sonhado, esse oásis sem fim.

O que mais me encanta em ti,
Além deste sorriso e a gentileza
Além da delicadeza e da boa postura,
Jeito de menina-moça, de dama-senhora, bonita e sedutora
Que mantém a elegância em qualquer situação;
O que mais me encanta, além do perfume capitoso e da voz que é em si delicado poema 
_ como uma ária suave de fino tom _,
Que embala minh'alma e conforta
Como carícia de ternura e de edredom;
Me dá essa vontade incontrolável de te amar...
E esses lábios que me leva ao deleite, ao delírio
Só de imaginar, como seria se... e finda
No infinito anseio de te beijar? ...

Pensando em ti
Transito entre o deslumbre e a volúpia
Entre o delírio e êxtase do sonhar...

Ao contemplar-te o corpo, o que vejo e suponho,
Uma doce inquietação me constrange
E deixa meu coração desorientado.
Portanto
Quando flagrar-me assim, nesse deslumbramento, nesse arrebatamento,
Contemplando em êxtase a tua beleza,
Faça isso, exatamente o que fazes agora: ignore.
Pois o que mais me encanta em ti é isso:

A tua capacidade de te fazeres tão generosa.

Como dizer-te



Como dizer-te, sem parecer ridículo, o que penso e sinto?
E por que dizer?

Todos os dias eu rezo.
Eu componho minhas próprias orações e rezo.
E é com tamanha fé que parece que o universo inteiro silencia e se curva para ouvir minhas preces.

Cheguei a pensar que Deus sentisse ciúmes.
Cheguei a pensar que estivesse pecando;
Mas uma voz soberana me disse: “Calma, você está simplesmente orando”.
Então, todos os dias eu rezo sem culpa.

Mas como te dizer isso sem que pareça ridículo, sem que te cause constrangimento ou pareça ameaçador?

E por que dizer que todos os dias adormeço e acordo rezando e, ao abrir os olhos para exercer a vida, continuo orando com a força plena de todos os meus sentidos?
O que penso e sinto é como estar preso em um sonho sem fim.
O que pode fazer uma criatura humana quando desperta para um sonho senão sonhar?
Por isso eu o sonho com toda a força de minh’alma.
Mas como vou te dizer... a minha forma de fazer oração é pensar em você.

“Eu te amo!” ­_ a voz soberana diz.
O amor justifica-se a si mesmo.

Bem, apesar disso, ou mesmo assim, ainda aceita almoçar comigo?



domingo, 17 de janeiro de 2016

Domingo




O mundo é grande mas hoje não tinha lugar pra mim.
Fui para a rua andar.
Procurei um amigo...
Onde estão meus amigos?
Quem são?

Árvores altas de densa folhagem circundam a praça.
Seus galhos longos e flexíveis se entrelaçam uma a outra e dançam ao ritmo do vento que brinca alternando o compasso.

O baixo canteiro é vão aberto e estreito, com pequenos arbustos cercado por baixas paredes retilíneas de pedras chatas, claras e escuras, e na ramagem abelhas voejam.

Os pombos catam coisas quase invisíveis, arrulham, dançam, trepam, e novamente dançam e se coçam se atacam; abrem asas e transam. 
Toda essa atitude certamente é um ritual de amor.

Formiguinhas passeiam, param e se cumprimentam, mas pouco se falam, e seguem como que procurando algum tesouro.

Maracanãs. 
Três crianças brincam com seus cães; o velho batuca nas pernas; o casal com filhinho de colo para à sombra e discutem e se ofendem, no olhar agressivo não há sinais de ternura...

Um homem chega e espera desconfiado e impaciente. Mas logo surge um garoto forte saudável e bonito. Eles sorriem, se abraçam, brincam, jogam palitinho e o pequeno deita em seu colo e fecha os olhos ao receber cafuné. 
De longe alguém espia, é mulher.

Como saber se o que parece certo é o melhor?

O vento corre em círculo, chega por onde estou, entra e  segue sempre da direita para a esquerda. As minúsculas folhas verdes ditam o tom e as adjacentes ramagens respondem num grave mediano e vai ao agudo suave...
E quando o vento fecha o círculo, as minúsculas folhas verdes encerram a toada. 
Dir-se-ia o poeta mineiro, uma singela sinfonia.

A dança parece uma quadrilha e a toada são versos declamados entre sussurros e suspiros. Ou talvez lamentos e gemidos... queixas.

Eu os invejo _ os pombos _, liberdade de ser e amar. Trepam livremente; e dançam.
E a árvore  me reprime atirando frutos secos em mim.
Ergo a cabeça e por uma fresta daquele vaivém dos galhos vejo a lua branca acinzentada como uma pequena fatia de nuvem perdida.

Eu vi a lua em pleno dia por entre as folhas dos arvoredos...
E é verão.
Mas hoje tem sol, tem sombra e tem vento.
As flores são minúsculas, pérolas azuis e amarelas na relva onde os marimbondos e joaninhas se divertem.

Hoje o dia é de um frescor divino.
O que eu mais posso querer?
Na verdade eu queria mais uma flor, a flor ..., aqui comigo.
Mas o mundo, a natureza, a vida já fora generosa demais para comigo.

O pé de ameixa acomoda as ramas de maracujá e se mostra vaidosa ostentando frutos alheios como fossem enormes brincos verde-brilhantes.

Sinto sede. Em locais públicos não se encontra água nem para gente nem para bichos. 
_ Caberia uma lei, penso.
Já sinto frio...
Melhor movimentar-me. Saio.
Ando ao sol.

Na outra praça, muitas crianças, idosos, casais de namorados e traficantes.
O olfato capta erva proibida.
A criança cai, é valente, o pai tira as rodinhas. A mãe briga.
As mães solteiras parecem ser mais felizes.
Namorado de mãe solteira é mais atencioso e demonstra carinho...
Travestis são ousados.
Eu perco a poesia.


O vento cessa e se faz brisa. É quando posso ouvir o zunir das abelhas e o cricrilar selvagem na minha cabeça.
Mas a natureza é generosa e ordena ao maestro que recomece o concerto.

Eu saio.
Dezoito horas, deve ter finda a visita.
Atravesso a rua atento ao perigo. Ando, ando, ando... caminho mergulhado em fantasias.

O mundo é grande mas hoje não tinha lugar pra mim.
Fui para a rua andar;
Caminhei, caminhei, 
Nem sequer por um instante estive sozinho.


sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

No oito às 14:00





À hora do almoço cessa a aflição,
Esqueço planilhas, segurança e compromissos.
É tempo de descanso.

A vaidade alimenta o orgulho e o contentamento oculta o nervosismo; assim se equilibra o homem vivido.

Às vezes as emoções se revezam.
O homem que anda tem os pés no chão, mas sua alma flutua.

Todos os olhares perseguem a beleza, ele atravessa, passo a passo, lado a lado com o encanto.

O que posso eu querer mais além de salada, arroz e feijão?
A inveja passa voando, da meia volta e paira sobre mim, mas é ruim de mira. Outro pássaro gigante me assusta, mas não é ave de rapina.

O brilho da estrela ofusca a juventude e o sol escaldante desafia-lhes a fantasias.
Atravessemos a rua. Vamos.

A mesa é farta.
Tem molho pra todo gosto
E legume combina com tudo.
Preferimos peixe, purê e maionese.
Dispensamos sobremesa.

Quisera ser cavalheiro, segurar a cadeira, provar e aprovar um bom vinho... quem sabe um dia. Flores sempre hão de existir, um beijo na mão, uma poesia...
Quem sabe um dia.

“É duro não saber em qual ponto a gente se encontra no tempo.”, pensei, mirando aqueles olhos.
Metáforas
“Morrer de sede em frente ao mar...” _ Djavan.
“Será que é feliz? Qual será o seu maior sonho?”
Se eu pudesse ler sua mente e penetrar seu coração...

E disfarcei minha desilusão e sufoquei meu desespero.
Então a interroguei, passado e futuro.
Mas o que eu queria mesmo era o presente.
O presente e seu olhar
O presente e seus lábios, seu abraço, pra sempre tão boa companhia.

Antes das 15:00:
A conta
Chiclete
Afazeres.

No fim do dia agradecimentos.




quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Teu Olhar-felicidade

 Poetray
De Sol, Poesia & dor
No amor o coração é quem determina o rítmo.



No olhar neutro encontrei poesia implícita, 
_ resposta por uma vida inteira procurada; 
E na tua imparcialidade a nitidez do sentido 
Responde ao ontem e hoje o que é felicidade.

Amanhã _ destino quem sabe presente _, prevalecerá d’outrora o agora respondido; 
Isto posto, agora definido, agora,
Teu olhar felicidade.

Tardia descoberta.
Tão óbvio, tão evidente, tão lógico o sentido; 
Contudo, até então ignorado;
O que mais poderia ser, senão o teu olhar, felicidade?

Diante de ti, mirando teus olhos, foi que senti pela primeira vez minh'alma flutuar entre estrelas. Mergulhei em ti ao som de harpas angelicais. E na profundidade dessa esfera me regenerei.
E tanto prazer cega-me.
Meu universo, teus olhos, teu corpo, capturou-me e se fechara em globo com luzes e sons e se expande causando-me estranho deleite.
Aprisionado assim quisera ficar; e pra sempre, cativo dentro de ti, e tu prisioneira de mim.

O amor sincero é egoísta; quer o amor só pra si, a seu lado.
E se do contrário fosse, sincero não seria, amor não seria.
O amor, amor não seria.
Não, não seria amor a verdade do teu e do meu olhar-Felicidade.

Tão óbvio, o amor cega-me. 
Tão ilógico o sentido se antes imaginado...
Cego,
Tão cego ignoro o elo dourado em teu dedo. Ofusca-me.
Como pode um homem...

Embora incapaz de entender, respeito a aliança. Seria insensatez ousar julgar um coração quando se é ineficiente para atender aos apelos do próprio coração se este insiste em competir com a razão.
_ Será que ela entenderia isso? _ indaga-me a consciência.

Entenderias tu?

Hoje, tinha folhas pelo chão, luzes nas árvores, estrelas artificiais... Cores vivas, reluzentes, por toda parte. Meu espírito voara para junto de ti e, seguro de não julgar e ser julgado, confesso a ti o meu amor. E digo sem hesitar: "eu te amo".

Não vi anjos _ eu queria anjos; 
Nem ouvi sinos e violinos_ eu queria muito ouvir sinos. 
Mas ouvi grilos e o tilintar do triângulo da orquestra desafinada do palco escurecido. 
Encenei. Não havia plateia. 
Encenei sem viv'alma sequer disposta a aplaudir-me _ exceto os fantasmas fieis, os de sempre, que vivem comigo. 
Mas eu queria palmas, aplausos, gritos, assobios, risos ou vaias!... Gente.
Eu queria gente, mesmo que fosse em mim...
Mas o que sou eu quando nada ou ninguém?

La fora, aqui, em algum lugar na extremidade do cérebro insano, uma fila de palavras famintas, perdidas, ansiosas por forma, à espera, perdidas se engalfinham  aflitas, esperançosas de ganharem sentido. O que mais que pode almejar uma palavra? 
As palavras querem sentido. 
Poucas palavras têm em si, sozinhas, algum sentido...
Eu queria sentido. Eu queria gente, já que jamais consegui ser verbo ou simples palavra.

Agora, entanto, quero amor: teu olhar-felicidade.
Felicidade, esse é o caminho que tem que ser percorrido...

Ho, ho, ho! Ho!... É hora dos fogos...

Mas não ouço sinos!... Nem violinos...
E teu olhar ainda vago.

(Inspirado pela presença de L.S _ 24/12/2015 23:48:16)